HIPERTENSÃO E ALIMENTAÇÃO

A obesidade e a hipertensão estão frequentemente associados e o primeiro passo para controlar a pressão arterial é emagrecer (reduzir gordura corporal). A perda de gordura conduz a uma baixa da pressão arterial independentemente do consumo e balanço do sódio (electrólito constituinte do sal). O inverso resulta naturalmente no aumento da pressão arterial. A distribuição da gordura corporal também tem um papel importante na relação entre hipertensão e a obesidade. A deposição de gordura na parte superior do corpo no abdómen é um factor de risco para a hipertensão.
De igual modo, o consumo excessivo de álcool tem uma relação directa com o desenvolvimento da hipertensão arterial.
Na alimentação verificou-se que a ingestão de uma quantidade baixa de cálcio, potássio e magnésio, associada a uma ingestão elevada de sal (cloreto de sódio), contribui para o desenvolvimento da hipertensão.
O sal não é mais do que a soma dos átomos de cloro e sódio. Esta dupla, cloreto de sódio, é essencial à vida em quantidades mínimas. Na verdade, o sódio em conjunto com outros minerais é importante na regulação do equilíbrio dos nossos líquidos orgânicos e no funcionamento da célula nervosa e muscular. A sua carência poderá ocasionar distúrbios, mas o seu excesso é mais frequente na nossa alimentação. O consumo em excesso de sal em indivíduos mais sensíveis, ou com maior dificuldade em eliminá-lo através dos rins, ocasiona habitualmente a retenção de líquidos nos tecidos circundantes e hipertensão. Em consequência da manutenção desta situação é frequente verificar-se o desenvolvimento de insuficiência cardíaca, renal ou ainda o tradicional A.V.C. (acidente vascular cerebral) já conhecido entre os portugueses. No que diz respeito aos países da União Europeia, em média cada adulto consome dez gramas de sal por dia. Ora, a quantidade de sal recomendada para a maioria da população varia entre 3 a 5 gramas por pessoa e dia. Este valor inclui o sal adicionado aos alimentos já processados: o pão, os cereais do pequeno-almoço, as bolachas, as conservas, os produtos de charcutaria, os molhos, etc. Esta quantidade de sal escondido poderá constituir em alguns casos 70% do sal ingerido, o que é excessivo. Estes alimentos escondem uma grande fatia do sal a ingerir por dia, restando apenas algumas gramas para adicionarmos na confecção e tempero. Infelizmente, a habituação ao sabor salgado não nos permite julgar correctamente as quantidades ingeridas. Para além do mais, a maioria dos alimentos com sal, contém igualmente teores de açúcar que mascaram o sabor salgado. Mais uma razão para que leia atentamente o rótulo e verifique os teores de sódio. Se consideramos que 3g de sal equivalem a 1200 mg de sódio, com alguma paciência poderá registar não só o total de sal adicionado na confecção e preparo de alimentos como também aquele ingerido nos alimentos processados. Se fizermos as contas, e supondo que adicionamos por dia 3 gramas de sal aos alimentos, obtemos a módica quantia de 90g por mês. Para tornar mais fácil o doseamento destas quantidades, podemos multiplicar este valor pelo número de elementos da família. Por exemplo, para uma família de 3 elementos, a adição de sal por mês para a confecção e tempero das refeições não deverá ultrapassar aproximadamente 270 gramas. Cada caso deverá ser avaliado cuidadosamente, uma vez que as quantidades de sal poderão ser ainda inferiores, mas nunca sem consultar o seu médico de família, antes de tomar a iniciativa.
Mas se a oferta de alimentos com sal incorporado aumentou brutalmente com a introdução dos produtos alimentares já confeccionados e nem sempre o sal está à vista, isto significa que deve reduzir o sal adicionado.
Experimente adicionar as famosas ervas aromáticas, o limão, o alho e a cebola, o alecrim, a folha de louro que combina facilmente com qualquer prato e reduza o sal.

NUTRICIONSITA
RICARDO OLIVEIRA

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